No Brasil, o adoecimento mental e comportamental são considerados a terceira maior causa da ausência e incapacidades para o trabalho, isto, sendo visto assim desde 2016, onde cerca de 127 mil trabalhadores brasileiros se afastaram por motivos de doenças, situações emocionais ou aposentaram-se por invalidez por conta de doenças psicológicas. Esta situação causa impacto aos trabalhadores, famílias, empregadores, sistemas de saúde e sociedade (BRASIL, 2017).
Sabe-se que, várias profissões sofrem com a consequência de transtornos mentais e adoecimentos psicológicos, é nítido que algumas atividades laborais são mais expostas, como as que são vinculadas com organizações de emergências como: policiais, bombeiros, equipes de emergências, professores, entre outras), que trabalham em prol da sociedade visando o socorro, segurança ou educação (GOMES, et al., 2017).
Pensando ainda sobre essas atividades Vasques-Menezes (et al. 2016) aponta sobre a atividade profissional exercida pelo policial rodoviário federal, este considerado uma das profissões mais estressantes e perigosos, em função do contato com acidentes graves, violência, risco constante de morte, ameaças a integridade física e psicológica, pressões ambientais e sociais, dentre os diversos riscos à saúde física, mental e social. O fato destes indivíduos estarem expostos a estes contextos, eles são considerados trabalhadores que estão em um grupo exposto a um alto risco psicossocial, resultando possivelmente em efeitos psicológicos, físicos e socais negativos, como estresse relacionado ao trabalho, esgotamento ou depressão. Sendo indispensável promover prevenção em saúde mental e redução de danos nestes ambientes (VASQUES-MENEZES et al. 2016).
Durante o trabalho operacional, os policiais rodoviários federais, estão expostos a constantes riscos, como relacionado acima. Desta forma exigindo um grande controle e habilidade emocional, além de alta capacidade de raciocínio e discernimento, com o objetivos principal em manter o equilíbrio dentre essas situações perigosas, de evitar e/ou minimizar o risco de todos os indivíduos envolvidos (GRAZIANO, 2017).
Graziano (2017), acrescenta que o policial rodoviário federal, diversas vezes, está em atividades ao mesmo tempo sob pressão sem ter a clareza do nível de risco no qual estão expostos em determinadas situações, fazendo com que este policial tenha seu comportamento e atitudes em que necessitem de permanente adaptação.
A PRF, não se difere das demais policiais, realiza diuturnamente o trabalho de prevenção e ostensivo. Em casos que, são identificado algo ilícito atuam de forma repressiva através dos autos de infração como: roubo, tráfico, contrabando e outros, possui destaque nacional no que se diz respeito aos combates de crimes em fronteiras, roubos de cargas, trafico de produtos ilícitos, armas, drogas, além de combates ambientais e exploração sexual infantil (SILVA, 2010).
O tema “estresse” vem sendo amplamente discutido, dentro do ambiente acadêmico quanto nos meios de comunicações, sendo, diversas vezes, entendido como “o mal da vida moderna” (GREENBERG, 2002). Pasquali (2003) considera o estresse como um fenômeno complexo de ser medido, pois ele pode ser representado por alterações hormonais e também comportamentais.
Quando falamos de sua definição, Costa (2003), aponta como qualquer evento que demande do ambiente externo e interno, que possivelmente gere um transtorno as fontes de adaptação de um sujeito ao sistema social. Paschoal (2003) complementa que o estresse ocupacional ( um dos tipos de estresse) é um estado em que ocorre o desgaste anormal do ser humano, e/ou diminuição da capacidade e tolerância de trabalho, devido a incapacidade prolongada do sujeito tolerar, superar ou adaptar-se as exigências derivadas do psíquico existentes em seu ambiente de trabalho. Além do estresse ocupacional existe a denominação de um outro aspecto de desgaste, a Síndrome de Burnout, está gerada pela exaustão emocional que se caracteriza pela sensação de esgotamento emocional e físico. Trata-se da constatação de que não se dispõe mais da mesma energia, para levar adiante, as atividades laborais.
De maneira extensa, toda e qualquer atividade pode vir a desencadear a Síndrome de Burnout, entretanto, algumas profissões tem sido apontadas com um predispor para características peculiares desta síndrome. A profissão e ocupação das quais as atividades estão voltadas para pessoas e que envolvam relações emocionais, são vistas com maior risco para a Síndrome. Tem se encontrado em Burnout, uma quantidade considerável de profissionais que se dedicam a saúde, educação e segurança pública, entre elas, o policial rodoviário federal (BENEVIDES-PEREIRA,2002).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entende-se com o breve relato de autores sobre o tema de saúde mental que, a profissão de policial rodoviário federal, coloca em risco a saúde física e emocional do indivíduo, assim como tantas outras citadas, entretanto, devemos atentar-nos aos métodos de enfrentamento que estão sendo utilizados (e se estão) para esses profissionais.
Além dos transtornos mentais e emocionais relacionados ao estresse, muitos outros estão envolvidos devido a atividade laboral do profissional. Com isso se torna indispensável a prevenção e criação de manejos para diminuição das doenças psicológicas e emocionais para com estes profissionais.
REFERÊNCIAS:
Ângelo RP. Psicologia da saúde ocupacional em organizações de emergência. In: Chambel MJ, coordenadora. Psicologia da saúde ocupacional. Lisboa: Pactor; 2016. p. 113-134.
BENEVIDES-PEREIRA,A. M. T. O processo de adoecer pelo trabalho. In: Benevides-Pereira, A. M. T. (org). Burnout: quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador. S.Paulo:Casa do Psicólogo. 2002.
Brasil. Ministério da Fazenda. Adoecimento mental e trabalho: a concessão de benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais e comportamentais entre 2012 e 2016: 1º boletim quadrimestral sobre benefícios por incapacidade de 2017. Brasília: Ministério da Fazenda; 2017.
GRAZIANO, L. A. G. Modelo de auto avaliação de desempenho para promover a motivação de um servidor público: um estudo de caso para um policial rodoviário federal em Santa Catarina. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso. (Especialização) – Repositório Universitário da Ânima (UNISUL), 2017.
GREENBERG, J.S. Administração do Estresse. 6 ed., São Paulo: Manole. (2002).
Laudelino Neto A, Gomes ECVV, Oliveira FF, Massuda Junior J, Rocha BC, Fagundes DF, et al. Comportamento suicida no contexto policial. In: Franco AA, organizadora. Pessoas, trabalho e organizações. Ituiutaba: Barlavento; 2017. p. 51-62.
PASCHOAL, T, TAMAYO, A. Impacto dos Valores Laborais e da Interferência da família – trabalho no Stress Ocupacional. Dissertação de Mestrado em Psicologia – instituto de Psicologia. Universidade de Brasília. Brasília. 2005; 21(2):173-80.
SILVA, A. F. As atribuições da Polícia Rodoviária Federal em um novo cenário de segurança pública. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso. (Especialização) – Repositório Universitário da Ânima (UNISUL), 2020.
Vasques-Menezes I, Fernandes SRP, Guimarães LAM, Lima EP. Saúde mental e trabalho: uma proposta de intervenção em contextos organizacionais. In: Mendonça H, Ferreira MC, Neiva ER. Análise e diagnóstico organizacional: teoria e prática. São Paulo: Vetor; 2016. p. 251-72.
Por Letícia Ribeiro Vilarins (CRP 24/3450)